Caminhos Desconhecidos...
Olá para você que está lendo esta postagem! Obrigado por
estar aqui!
Existe algo que me preocupa muito, e isso deveria chamar a
atenção de todos nós diariamente:
Será que todos os
medicamentos que temos disponíveis no mercado são realmente seguros e
confiáveis?
Veja um exemplo disso: Você já pegou alguma prescrição
médica contendo o medicamento dipirona (Seja você profissional da saúde ou
apenas paciente)?
Se sua resposta foi sim, segue a próxima pergunta: Você
conhece o mecanismo de ação da dipirona (Como ela se comporta dentro do
organismo e onde ela age)?
Se você desconhece essa resposta, fique tranquilo, ninguém
sabe mesmo...
A bula da Novalgina® (referência da dipirona laboratório
Sanofi Aventis), diz que “seu mecanismo de ação não se encontra completamente
investigado.”
Um dos medicamentos mais prescritos e utilizados em nosso
país, nós simplesmente ainda não conhecemos de fato seu comportamento em
humanos!
Por esta razão acredito que devemos mais do que nunca nos
aprofundar em pesquisas e lutar por isso em nosso país. Fazermos revisões da literatura
já existente e propor novos estudos sobre os mais diversos tipos de
medicamentos, antes que percamos vidas, antes que seja tarde demais.
Temos muitos casos de substâncias amplamente utilizados no
passado que após um grande tempo, foi descoberto sua toxicidade e alterações
irreversíveis ao organismo humano. Veja alguns exemplos:
- 1884 – O mercúrio sendo usado para o tratamento da febre
amarela causava intoxicação;
- 1890 – O clorofórmio sendo usado como anestésico e o
arsênico para tratar sífilis causaram mortes;
- 1937 – Dietilenoglicol usado como veículo da sulfanilamida
(antibiótico) causou a morte de 107 crianças por insuficiência renal;
- 1950 – Cloranfenicol causou anemia aplástica.
Agora vamos a um caso muito famoso e realmente assustador:
O Caso Talidomida:
Começou a ser comercializada em 1957 indicada na época como sedativo, hipnótico
e principalmente antiemético,
entre outras. Em 1960 foi descoberto que causava focomelia (aproximação/encurtamento dos membros junto ao
tronco, tornando-os semelhantes aos de focas). Os Slogans usados pelo
marketing na Alemanha anunciava ser “um medicamento completamente seguro e
inóculo".
Agora um fato que eu espero deixar você chocado, como eu
fiquei!
Em 1961 a Talidomida foi retirado do mercado mundial. EXCETO
NO BRASIL! Onde permaneceu por aproximadamente mais 4 anos!
Veja mais: apenas em 1994 foi publicada uma portaria que
proíbe o uso por mulheres férteis e só em 2003 a lei 10.651 dispõe sobre o
controle e uso do medicamento.
De 1990 a 2000 o medicamento ainda era muito utilizado
devido à falta de informação dos profissionais de saúde e a automedicação.
Causando assim a 2ª e 3ª geração das vítimas da Talidomida.
Ao todo foram relatados 4.000 casos, sendo 600 mortes
(mundialmente).
Hoje o medicamento é usado no Brasil de forma bem restrita,
para hanseníase (lepra), AIDS e mieloma múltiplo, disponível apenas no setor
público.
Caro
leitor! Esse é apenas um dos casos do passado que mostra que nunca
devemos confiar plenamente em tudo (Propagandas, laboratórios, profissionais de
diversas áreas da saúde).
Profissionais
da saúde: NUNCA devemos nos conformar com apenas o que temos hoje, em
termos de pesquisas, e sermos indiferentes aos relatos (por mais irrelevantes
que pareçam) que nossos pacientes nos trazem, de reações adversas, efeitos
colaterais e etc.
Para tal controle temos hoje a
farmacovigilância:
“A ciência e as atividades relativas
a detecção, avaliação, compreensão e prevenção dos efeitos adversos e quaisquer
outros problemas associados a medicamentos” OMS, 2002
Farmacêuticos:
Por que principalmente em drogarias esta é uma prática tão distante da nossa rotina?
Será omissão e falta de interesse do profissional farmacêutico? Ou somos tão
desviados da nossa função original pelos proprietários do comércio e pelas exigências
administrativas de órgãos regulamentadores, que não temos o devido tempo para
exercer a essência da nossa profissão? Que é cuidar incondicionalmente... Pense
nisso...
“Primum non nocere – Primeiro não cause dano”
Hipócrates (460-370 AC)
Fontes:
“Curso Eventos Adversos e Farmacovigilância CRF-SP (2015)”
“http://www.talidomida.org.br/oque.asp”

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