terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Caminhos Desconhecidos...

Olá para você que está lendo esta postagem! Obrigado por estar aqui!

Existe algo que me preocupa muito, e isso deveria chamar a atenção de todos nós diariamente:
Será que todos os medicamentos que temos disponíveis no mercado são realmente seguros e confiáveis?

Veja um exemplo disso: Você já pegou alguma prescrição médica contendo o medicamento dipirona (Seja você profissional da saúde ou apenas paciente)?
Se sua resposta foi sim, segue a próxima pergunta: Você conhece o mecanismo de ação da dipirona (Como ela se comporta dentro do organismo e onde ela age)?
Se você desconhece essa resposta, fique tranquilo, ninguém sabe mesmo...
A bula da Novalgina® (referência da dipirona laboratório Sanofi Aventis), diz que “seu mecanismo de ação não se encontra completamente investigado.”
Um dos medicamentos mais prescritos e utilizados em nosso país, nós simplesmente ainda não conhecemos de fato seu comportamento em humanos!

Por esta razão acredito que devemos mais do que nunca nos aprofundar em pesquisas e lutar por isso em nosso país. Fazermos revisões da literatura já existente e propor novos estudos sobre os mais diversos tipos de medicamentos, antes que percamos vidas, antes que seja tarde demais.

Temos muitos casos de substâncias amplamente utilizados no passado que após um grande tempo, foi descoberto sua toxicidade e alterações irreversíveis ao organismo humano. Veja alguns exemplos:
- 1884 – O mercúrio sendo usado para o tratamento da febre amarela causava intoxicação;
- 1890 – O clorofórmio sendo usado como anestésico e o arsênico para tratar sífilis causaram mortes;
- 1937 – Dietilenoglicol usado como veículo da sulfanilamida (antibiótico) causou a morte de 107 crianças por insuficiência renal;
- 1950 – Cloranfenicol causou anemia aplástica.

Agora vamos a um caso muito famoso e realmente assustador:

O Caso Talidomida: Começou a ser comercializada em 1957 indicada na época como sedativo, hipnótico e principalmente antiemético, entre outras. Em 1960 foi descoberto que causava focomelia (aproximação/encurtamento dos membros junto ao tronco, tornando-os semelhantes aos de focas). Os Slogans usados pelo marketing na Alemanha anunciava ser “um medicamento completamente seguro e inóculo".


Agora um fato que eu espero deixar você chocado, como eu fiquei!

Em 1961 a Talidomida foi retirado do mercado mundial. EXCETO NO BRASIL! Onde permaneceu por aproximadamente mais 4 anos!
Veja mais: apenas em 1994 foi publicada uma portaria que proíbe o uso por mulheres férteis e só em 2003 a lei 10.651 dispõe sobre o controle e uso do medicamento.
De 1990 a 2000 o medicamento ainda era muito utilizado devido à falta de informação dos profissionais de saúde e a automedicação. Causando assim a 2ª e 3ª geração das vítimas da Talidomida.
Ao todo foram relatados 4.000 casos, sendo 600 mortes (mundialmente).
Hoje o medicamento é usado no Brasil de forma bem restrita, para hanseníase (lepra), AIDS e mieloma múltiplo, disponível apenas no setor público.

Caro leitor! Esse é apenas um dos casos do passado que mostra que nunca devemos confiar plenamente em tudo (Propagandas, laboratórios, profissionais de diversas áreas da saúde).
Profissionais da saúde: NUNCA devemos nos conformar com apenas o que temos hoje, em termos de pesquisas, e sermos indiferentes aos relatos (por mais irrelevantes que pareçam) que nossos pacientes nos trazem, de reações adversas, efeitos colaterais e etc.
Para tal controle temos hoje a farmacovigilância:
“A ciência e as atividades relativas a detecção, avaliação, compreensão e prevenção dos efeitos adversos e quaisquer outros problemas associados a medicamentos” OMS, 2002
Farmacêuticos: Por que principalmente em drogarias esta é uma prática tão distante da nossa rotina? Será omissão e falta de interesse do profissional farmacêutico? Ou somos tão desviados da nossa função original pelos proprietários do comércio e pelas exigências administrativas de órgãos regulamentadores, que não temos o devido tempo para exercer a essência da nossa profissão? Que é cuidar incondicionalmente... Pense nisso...

“Primum non nocere – Primeiro não cause dano”
Hipócrates (460-370 AC)

Fontes:
“Curso Eventos Adversos e Farmacovigilância CRF-SP (2015)”
“http://www.talidomida.org.br/oque.asp”


Nenhum comentário:

Postar um comentário